Leila B. Mostaço-Guidolin

Última parada: IBU Cup, Canmore - CAN April 9, 2015


Olá!

E a temporada de 2014-2015 chegou ao fim. Minha última aventura foi em Canmore, para participar das IBU Cups 7 e 8. IBU é federação internacional de biathlon (sim, aquele esporte que combina esqui cross country com tiro de precisão). IBU Cups são uma espécie de 2a divisão do campeonato mundial. Durante cada temporada são organizadas 8 IBU Cups (sendo a maioria - senão praticamente todas - na Europa). Dependendo dos resultados obtidos nessas "cups", o atleta pode se classificar para etapas do campeonato mundial "principal", que também ocorre ao longo da temporada dividido em 9 etapas.

Uma coisa interessante do biathlon é com relação ao sistema de pontos, classificação para mundiais e até mesmo para etapas da IBU Cup. A temporada é dividia em 3 estágios e para poder competir em dois estágios seguidos, o atleta deve atingir alguns requisitos mínimos. Por exemplo, um atleta pode participar das IBU Cups 1,2 e 3. Porém, para ganhar o "direito"de competir nas etapas 4,5, e 6, este atleta deve se manter abaixo de um percentual com relação ao vencedor da prova (no caso, no máximo 15% atrás do líder). Caso o atleta não atinja este percentual, ele vai para a "geladeira", não podendo largar nas 3 etapas subsequentes. A ideia é que a pessoa retorne ao seu País, treine, participe de mais algumas provas locais/nacionais e tente novamente após um tempinho.

O sistema de pontuação da IBU está em fase de transição, sofrendo algumas alterações para - em teoria - deixar a vida de bons atletas "avulsos" mais simples. Avulso eu quero dizer, atletas que não são de um País com uma equipe forte (ou ainda que nem possui uma equipe!). Até Sochi 2014, para se classificar para uma olimpíada, o atleta deveria atingir um certo índice E ter a nação de origem figurando entre os top 32 do mundo para ter direito a uma vaga olímpica. Essa pontuação do "Ranking das Nações" leva em conta os resultados dos 3 melhores atletas de cada País; nem preciso dizer que para um atleta "avulso" obter a classificação olímpica com estas regras era algo realmente difícil. Afinal, este atleta estaria sozinho tentando primeiramente, subir da IBU Cup para as etapas dos campeonatos mundais. E depois, somar pontos para colocar o País de origem entre os top 32 do mundo SOZINHO. Pois é...era uma missão e tanto!

(Deixa só eu fazer um comentário aqui: em 2014 o Brasil conseguiu pela 1a vez na história ter um atleta nas olimpíadas participando do biathlon. A Jaqueline Mourão foi a autora deste feito. Ela conseguiu subir da IBU Cup para o circuito do campeonato mundial, se manter por lá, pontuar o suficiente para deixar o Brasil numa boa posição no ranking das nações e aí sim conquistar a vaga olimpíca inédita. Um feito e tanto para a história dos esportes de inverno do Brasil)

Agora, com as regras novas, parece que caso um atleta seja bom mas "avulso", está um pouco mais simples (ou seria menos difícil??) do mesmo conquistar uma vaga em Olimpíadas. Mas vamos ver...eu confesso que ainda não entendi 100% dessas novas regras. E aparentemente nem os oficiais da IBU com quem eu conversei! hehehe

No início de Março eu estive presente nas etapas 7 e 8 da IBU Cup (últimas da temporada!), que foram realizadas em Canmore aqui no Canadá. Estas foram minhas primeiras provas oficiais de biathlon. Antes disso, eu havia apenas "brincado" em campeonatos locais (3x para ser exata! rs). Como o biathlon é baseado no esqui cross country, sempre que sobrava um tempinho e o calendário permitia, eu tentava dar um jeito de competir por aqui como forma de fazer um treino intenso, porém divertido. :) Cheguei a participar de um camp aqui em Manitoba durante o verão de 2013, mas devo confessar que essa era toda a experiência que eu tinha na modalidade.

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(vista das pistas de esqui cross country, no Canmore Nordic Centre)

Ir para Canmore é sempre um prazer. A cidade fica no meio das Rockies (Montanhas Rochosas do Canada) e é uma fofura. Além das próprias montanhas, cada lugar que você vai naquela região tem vistas maravilhosas. Por exemplo, a vista abaixo é de uma estradinha que liga o centro de Canmore até algumas pistas de esqui (não as da competição).

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Vista panorâmica de uma das trilhas da região...

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Uma comparação do Lake Louise (um dos cartões postais da região), no verão e no inverno..rs
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Eu fui muito sortuda de ter tido a Gail Niinimaa como minha técnica durante toda a semana. Como eu estava indo sozinha (para variar!) e o biathlon é um "pouco" mais complicado do que simplesmente o esqui cross country, no sentido de que precisamos ajustar (ou "zerar") o rifle antes das provas, para corrigir a trajetória dos projéteis com relação ao vento, etc eu acabei entrando em contato com a organização do evento para ver se eles tinham o contato de alguém que pudesse me dar um ajuda com o rifle no dia das competições. Eis que fui apresentada à Gail e eu não poderia ter tido sorte maior. Ela foi atleta do time nacional Canadense na década de 80 e desde que se aposentou como atleta, ela seguiu em frente e se tornou uma das poucas técnicas com o grau mais alto de certificação pela federação canadense. Bom, nem preciso falar que eu estive em ótimas mãos durante este evento.

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Como ela mesma disse: eu era um atleta precisando de um técnico e ela uma técnica "precisando" de um atleta. :)

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Além das provas de biathlon, fui convidada pelo pessoal do "Fast and Female" que é uma organização idealizada pela Chandra Crawford, esquiadora do Canada e medalhista de ouro nas olimpíadas de Turin. A ideia é ter atletas como "embaixadoras", durante eventos que ocorrem em diversos lugares da América do Norte, visando incentivar e inspirar meninas a continuar praticando esporte e perseguindo sonhos, sejam eles quais forem.

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O evento ocorreu lá em Canmore mesmo, contou com a presença de 20 meninas de 8-12 anos e 3 esquiadoras da equipe canadense e eu. :) Organizamos uma competiçãozinha de biathlon, conversamos, mostramos os rifles e acho que conquistamos mais algumas futuras atletas. No final de semana das competições, elas estavam nas arquibancadas...gritando e torcendo para todas nós. Foi muito divertido e legal de saber que pequenos gestos como esses poem fazer uma grande diferença na vida de alguém, incentivando a manter um estilo de vida saudável e perseguir seus objetivos.

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Bom, para resumir toda a aventura: foi uma ótima experiência. Fiquei super feliz de ter tido a oportunidade de participar de um evento desse porte. Ok, ainda não é nada tão grande quanto um campeonato mundial "de verdade" ou alguma prova de alto nível na escandinávia, mas já serviu para eu ter um contato com um evento maior e um grau de stress proporcional. ;)

A minha 1a prova foi um desastre. Tive problemas com um pino de segurança do rifle; o lugar onde o cartucho é colocado tinha esse pino que não estava sendo completamente pressionado pelo cartucho. Resultado? O rifle não atira! Ele apenas ejeta os projéteis. Digamos que isso é a última coisa que você quer que aconteça numa prova de biathlon. Errei 9 dos 10 possíveis tiros. Foi uma das piores provas que já fiz até o momento. Pensei em simplesmente parar no meio, pois eu sabia que o resultado seria terrível. Mas ainda bem que eu tenho algo dentro de mim que não me deixa parar "por qualquer motivo". Terminei a prova em último lugar, 16min atrás da primeira colocada e com nada mais nada menos do que 80% (sim 80!!!) "atrás do líder"- lembra da porcentagem que falei anteriormente?? 15% para classificar e se manter em mundiais, etc. Pois é....bati 80% logo de cara!

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(eu atirando na posição "prone", durante a minha 1a prova)

Nem preciso dizer que fui embora arrasada, repensando se eu deveria ou continuar tentando coisas no esporte...e por aí vai. Imaginem a crise..rs. Mas nada que uma longa noite de sono não resolva. No dia seguinte, eu estava pronta para encarar o desafio novamente. O pessoal do time Canadense fez uma gambiarra no rifle e tudo parecia estar funcionando. Foi ótimo não estar sozinha, ter a Gail fez uma diferença muito grande. É bom ter alguém junto para conversar e dividir todas as "tarefas" pre-competição. Eu nunca tinha tido esse "luxo". Como foi bom ter alguém para ir nas reuniões, tomar conta das "burocracias", orientar e ajudar a manter a calma e foco em situações como essa.

A segunda prova ocorreu dentro do que eu esperava. Uma foto da largada...

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Acertei 5/10 tiros, Melhorei um pouco a porcentagem para 59%. Acho que dava para ter esquiado um pouco melhor, mas eu me senti tão exausta - acho que devido a todo o stress do dia anterior, a tensão de "falhar" novamente não me deixou relaxar nem um minuto. Mas pelo menos considero que esta prova foi dentro do que eu esperava para uma estreia. Nos treinos eu estava acertando entre 80-50% dos tiros, logo, qualquer coisa dentro desta margem é o que eu estava considerando como aceitável.

Depois destas duas provas, parte da IBU Cup 7, eu tive quase 1 semana para me recuperar e fazer um treinamento intensivo com a Gail por lá. Fomos todos os dias ao range, para treinar os mais diversos aspectos do tiro (posicionamento, transição para entrar e sair do estande de tiro, estratégia de prova, etc). Foram taaaaaaantas coisas em tão poucos dias. Na semana seguinte eu participei da minha última prova da temporada. Outro sprint de 7.5km, desta vez pela IBU Cup 8 (ainda em Canmore).

Na ida encontramos alguns torcedores indo para o Nordic Centre... hehehehe

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A supresa do dia foi o vento. Até então eu estava sendo de certa forma sortuda, pois os dias estavam ensolarados e com vento calmo (ou constante). Mas é claro que eu não poderia me despedir da temporada sem antes ter mais um pouco de aventura e aprendizado. 1h antes da largada nós vamos para o estande de tiro para ajustar o rifle de acordo com as condições do dia. Para encurtar a estória, o vento estava doido! Leste-Oeste. 5min depois, da Oeste-Leste. Espera mais um pouco, ajusta, ajusta...e o vento muda para Norte-Sul + Leste-Oeste...e por aí vai. Fizemos o que deu, e ficamos na torcida para que as condições ficassem de certa forma estáveis e compatíveis com os ajustes que tínhamos feito.

É óbvio que isso não aconteceu. Já na largada, algumas meninas estavam re-ajustando os rifles. A Gail e eu decidimos ir do jeito que estava, pois como eu ainda não tenho muita consistência no meu posicionamento, resolvemos arriscar.

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Na 1a parada, o vento estava o oposto daquele para o qual fizemos as correções. Devido à minha falta de experiência, eu não sabia ao certo como corrigir isso sem ajuda da Gail. Acertei 2/5. E pelo que ela viu, eu poderia ter acertado 5/5 ou errado 5/5, pois TODOS os meus tiros foram bem na borda dos alvos. No centro, mas deslocados para um lado (=correção para o vento oposto!).

Na segunda parada, para tiros em pé, acertei apenas 1/5.

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Durante a 2a volta esquiando, eu não pude deixar de notar uma super movimentação do pessoal dos outros países. Era gente correndo para cima e para baixo nas trilhas, dando informações para as esquiadoras...nessa hora eu pensei: "é...o vento mudou de novo". E não deu outra. O técnico dos EUA até tentou me passar algumas coordenadas, mas eu não entendi direito e infelizmente acabou não ajudando muito. Quando entramos na área do estande de tiro ninguém pode falar com os esquiadores. Logo, a Gail estava lá...quietinha apenas olhando e torcendo para eu acertar meus tiros.

Apesar de ter errado vários tiros (7/10), acho que esquiei bem e fiz a minha prova de maneira satisfatória. É claro que a gente sempre quer ir bem, atingir marcas boas, mas assim é o esporte. Perdemos e erramos muito mais do que ganhamos e acertamos. É normal, e é assim com todos. E talvez esta seja a beleza de competir. Você sempre tem que lutar para atingir um objetivo. Seja ele o de ser campeão do mundo, seja ele atingir uma marca pessoal melhor do que a anterior.

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(foto publicada no jornal, sobre os acontecimentos na IBU Cup - eu era a única atleta representando um país de fora do clube dos top 10 do mundo)

Mais uma temporada chegou ao fim. E essa eu posso dizer que foi cheia de altos e baixo. Muitas alegrias, muitas decepções e muito aprendizado. Agora é hora de recarregar as baterias, defender o meu doutorado (sim!!! A defesa está praticamente marcada para 30/4!!) e me preparar para a temporada de 2015-2016.

Obrigada pelo apoio de todos! Cada mensagem, cada comentário, cada uma das palavras de incentivo que recebo fazem uma diferença e tanto. Obrigada por me acompanhar nessa aventura. :)

Beijos!!!



- English version - Last stop: IBU Cup, Canmore - CAN

Hello!!!

And the 2014-2015 season came to an end. My last adventure was in Canmore, to participate in the IBU Cups 7 and 8. IBU is the international biathlon federation. IBU Cups are a sort of second division of the world championship. In each season, there are 8 IBU Cups (the majority - if not almost all - in Europe). Depending on the results obtained in these "cups", the athlete can qualify for stages of the "main" world cup which also occurs throughout the season, divided into 9 stages.

An interesting thing about biathlon is related to its points system. The season is divided into 3 terms and to compete in two consecutive terms, the athlete must meet certain minimum requirements. For example, an athlete may participate in the IBU Cups 1,2 and 3. However, to get the "right" to compete in next cups - 4,5, and 6 - the athlete must remain below a certain percentage compared to the winner of the race (in this case up to 15% off the lead). If the athlete does not reach this percentage, he/she has to take a "break" and cannot race in three subsequent cups. The idea is to make the athlete return to his/her home country, train a bit more, participate in some more local / national events and then try again after a while.

The IBU scoring system has been changing - in theory - to make the life of good "lone" athletes from smaller nations easier than it is now. By "lone" I mean, athletes who are from a country without a strong team (or even a team!). Until Sochi 2014, to earn a spot to race in the Olympics, an athlete needed to achieve a certain qualifying standard AND have the home nation ranked among the top 32 in the world. The "Nations Ranking" takes into account the results of the 3 best athletes from each country; I don't have to say that for "lone" athlete, get to the Olympics with these rules was something really hard. After all, this athlete would be alone trying first, come up from the IBU Cup to World Cups. And then, he/she would have to earn points to put his/her home country among the top 32 of the world ALONE.

(Let me just make a comment here: in 2014, Brazil managed for the first time in the history to have an athlete participating in biathlon at the Olympics. Jaqueline Mourao was the author of this achievement. She got up out from the IBU Cup to the World Cup circuit... stayed there, scoring enough points to make Brazil stand in a good position in the nations ranking. She conquered the unprecedented Olympic spot. An outstanding achievement for both the athlete and also for the Brazilian winter sports' history)

Now, with the new rules, it appears that if an athlete is good but "lone", things are a little simpler (or would be less difficult ??) to earn a spot at the Olympics. But let's see ... I confess I still do not get 100% of these new rules. And apparently neither the IBU officials I spoke to! LOL

In early March I was racing the IBU Cups 7 and 8 (last ones of the season!), which were held in Canmore - here in Canada. These were my first official biathlon races. Before that, I had only raced in local biathlon events (3x to be exact! Lol). I've participated in a summer camp here in Manitoba in 2013, but I must confess that this was all the experience I had in the sport.

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(View of cross country ski trails @ the Canmore Nordic Centre)

Traveling to to Canmore is always a pleasure. The city is in the middle of the Rockies and is super cute. In addition to the mountains, every place you go you there, you can find great views. For example, below is the view from a road that connects the center of Canmore up to several ski trails (not the one where the competition was held at).

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Panoramic view from one of the trails...

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The next pics are from Lake Louise (one of the postcards of the region), in the summer and winter...lol
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I was very lucky meeting Gail Niinimaa and to have her as my coach all week. As I was going to be alone there (for a change!) and biathlon is a "bit" more complicated than simply cross country skiing, in the sense that we need to adjust (or "zero") the rifle before the races, to correct the trajectory according to wind, etc. I ended up getting in touch with the organization of the event to see if they would have someone who could give me a hand with the rifle on race days. Behold, I was introduced to Gail and I could not have been more fortunate. She was a Canadian national athlete in the 80s and since retiring as an athlete, she went on to become one of the few coaches with the highest certification level by the Canadian biathlon federation. Well, needless to say I was in good hands during this event.

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As she said, I was an athlete needing a coach and was a coach "needing" an athlete. :)

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In addition to the biathlon races, I was invited by "Fast and Female" - which is an organization conceived by Chandra Crawford, a Canadian skier and gold medalist in Turin Olympic games. The idea of Fast and Female is to have athletes as "ambassadors" for events that occur in various parts of North America, aiming to encourage and inspire girls to continue playing sports and chasing their dreams, whatever they may be.

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The event took place there in Canmore and was attended by 20 girls with ages between 8-12 years; Gail, 3 skiers from the Canadian team and me were the ambassadors. :) We organized a little biathlon race, we talked, we showed them rifles and I think we have motivated some pretty promising future athletes. ;) During the races over the weekend, they were all in the stands ... screaming and cheering for all of us. It was really fun and cool to know that small gestures like this can make a big difference in someone's life by encouraging them to maintain a healthy lifestyle and pursue their goals.

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Well, to summarize the whole adventure: it was a great experience. I was super happy to have had the opportunity to participate in an event of this magnitude. Okay, it's still nothing as big as a "real" world championship or some high level race in Scandinavia, but it was very good for me to have participated in a major event and of course, experienced all the stress that comes with it. ;)

My first race was a disaster. I missed nine of 10 shots possible. It was one of the worst races I have had so far. I thought I'd just stop in the middle of it because I knew the result was going to be terrible. But thankfully I have something inside me that don't let me stop "for any reason". I finished the race in last place, 16min behind the first place and with no less than 80% (yes 80 !!!) "behind the leader" mark - remember the percentage I talked about earlier?? 15% to qualify and stay racing in the world cup circuit, etc. Yeah .... I hit 80% right off the bat!

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(Me shooting "prone", during my first race)

I don't think I have to say I left the racing site devastated, rethinking if I should keep trying things in sport or what ... and so on. You can imagine my crisis. LOL
However, there is nothing better than a long night of sleep. The next day, I was ready to face the challenge again. The Canadian team staff helped me and it was great not to be alone; it was great having Gail there and it made a big difference. It was so nice to have someone to talk with and to share all the pre-competition "tasks". I've never had this "luxury". It was great to have someone to go to the meetings, take care of all the "bureaucracy", to guide me and to help maintain the calm and focus in situations like the ones I faced for the first time.

The second race occurred within what I expected. A photo of the start ...

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5/10 shots hit; I improved a little the percentage to 59%. I think I could have skied a little better, but I felt so exhausted - I think because of all the stress from the previous day, the tension and fear of "failing" again did not let me to relax for a minute. But at least, I consider that this race was closer to what I expected to be my first race. In training, I was hitting between 80-50% of the shots, so anything within this range is what I was considering as acceptable.

After these two races of the IBU Cup 7, I had almost one week to recover and to do intensive training with Gail there. We went every day to the range, to train the various aspects of the shot (positioning, transition in and out of the range, test strategy, etc.). I've learned soooooo many things in so few days. Finally, on Friday I had my last race of the season. Another 7.5km sprint, this time part of the IBU Cup 8 (still in Canmore).

On the way there, we found some fans going to the Nordic Centre ... hehehehe

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The surprise of the day was the wind. Up to that point, I was being lucky because the days were sunny and with calm wind (or at least constant). But of course I could not say goodbye to the season without having a little more adventure and learning. 1h before the start we go to the range to adjust the rifle according to the conditions of the day. To shorten the story, the wind was crazy! East-West. 5min later, West-East. Wait a little longer, adjust, adjust ... and the wind changes to North-South + East-West ... and so on. We did what we could, and started hoping for the conditions to stay somewhat stable and compatible with the adjustments we had done.

Obviously it did not happened. Already at the start line, some girls were re-adjusting their rifles. Gail and I decided to go the way it was, because as I still not having a consistent position, we decided to risk it.

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In the first stop, the wind was the opposite of what we have made the corrections for. Due to my lack of experience, I was not sure how to fix it without Gail's help. I hit 2/5. And from what she saw, I could have hit 5/5 or even 0/5 because ALL my shots were at the very edge of the targets. In the center, but displaced to one side (= correction to the opposite wind!).

In the second stop, for standing shots, I hit only 1/5.

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 During the second lap skiing, I could not help but notice that all coaches and staff from other countries were running up and down like crazy. They were all over the tracks, giving information to the skiers ... this time I thought, "hmmm okay ... the wind has changed again". And I was right. The US coach even tried to give me some information, but I did not understand it right the way and unfortunately it ended up not helping much. When we enter at the range area no one can talk to the skiers. Therefore, Gail was there ... just quietly watching and hoping I hit my shots.

Although I missed several shots (7/10), I think I skied well and did my race satisfactorily. Of course, we always want to do well, achieving good marks, but that's sport. We loose and we make mistakes more often than we win and we hit. It is normal and perhaps this is the beauty of racing. You always have to strive to achieve a goal. It doesn't matter if the goal is to be the world champion or if it is simply achieving a new personal best mark.

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(Photo published in the newspaper, about the IBU Cup - I was the only athlete representing a country outside the "club" of the top 10 in the world)

Another season is over. And this one I can say was full of ups and downs. Many joyful moments, many disappointments and a lot of learning. Now it's time to recharge, defend my PhD (yes !!! The defense is pretty much set for 30/4 !!) and get ready for the 2015-2016 season.

Thanks for the support everyone! Every message, every comment, every word of encouragement I receive makes a difference. Thank you for accompanying me in this adventure. :)

Hugs!!